Nos Bastidores

Em episódio histórico da Champions League, jogadores abandonam partida e racismo institucional é exposto


Em um jogo entre PSG x Istambul, durante uma partida da Champions League nesta terça-feira, 8, o assistente técnico Pierre Webó acusou o quarto árbitro de tê-lo insultado de forma racista, ato que fez todos os jogadores se recursarem a dar continuidade a partida e se retirassem do campo em apoio ao profissional.   

Logo após tentativa, em vão, de tentar argumentar com o árbitro, Pierre foi expulso de campo. Fazendo com que os jogadores ficassem mais revoltados. Demba Ba foi o mais enfático: continuou relutante pela suspensão do jogo. Os jogadores do PSG também apoiaram os pedidos e todos foram aos poucos deixando o gramado.

‘Quando você fala de um homem branco, você nunca diz "esse cara branco", você diz "esse cara". Então por que quando você menciona um jogador preto, você tem que dizer "esse cara preto"?’ disse Demba Ba, em questionamento ao quarto árbitro Sebastian Coltescu.

A UEFA só adiou a partida duas horas depois do ocorrido. A informação dos bastidores, era de que os jogadores do Istambul, com razão, se recusavam a retomar a partida. Pelas redes sociais, o clube informou que não entraria em campo antes da posição oficial da entidade, que promete uma profunda investigação do crime.

‘No jogo do Paris Saint Germain, os nossos jogadores de futebol decidiram não entrar em campo devido ao racismo que o 4º árbitro Sebastian Coltescu cometeu contra o nosso treinador adjunto Pierre Webo’ escreveu o clube.

O acontecimento evidencia a institucionalização do racismo, que se proliferou com a crescente onda de movimentos neonazistas na Europa e nenhuma federação tomou medidas enfáticas.

Em 2019, o Campeonato Italiano estava repleto de atos racistas. Os jogadores negros se sentiam sem voz. Os protestos não resultavam em medidas severas da organização. A federação, então, resolveu se manifestar criando uma campanha antirracista com macacos, justamente o estereótipo racista atribuído aos jogadores negros. O episódio gerou críticas do mundo inteiro e, em vez de apoio, os jogadores acabaram recebendo mais um insulto.

O mesmo Neymar que estava em campo e inclusive também protestou contra o ato racista, pedindo a suspensão do jogo, também foi vítima em uma partida contra o Olympique Marselha, pelo Campeonato Francês. Em setembro, o brasileiro acusou o zagueiro Álvaro González, da equipe adversária, de ter proferido frases racistas contra ele. Diversos veículos de imprensa repercutiram a leitura labial que comprova o ato racista, e a Federação Francesa se comprometeu a investigar, mas resultado foi o silêncio.

Esses casos servem para mostrar o quão eficiente é a estrutura racista nas ligas europeias, refletindo na principal competição do continente. No auge da discussão do jogo desta terça-feira, 8, os jogadores do Istambul decidiram não entrar em campo, e logo surgiu a tradicional pressão dos dirigentes, que decidem o que é racismo de acordo com o impacto financeiro.

Em uma competição que na última edição não teve um técnico negro entre os 32 times, com uma organização que é mais provável de punir a vítima do que o agressor. Pierre Webó desafiou toda uma instituição, que fatura em cima da pressão nos jogadores negros, para que não se rebelem, para manter a boa imagem da liga. Mas o time turco, que tem um tamanho menor comparado aos ricos times da Champions League, nesta terça-feira se tornou gigante e ficou marcado na história. O racismo é intolerável!

(*) com informações do Globo Esporte.

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