Nos Bastidores

Justiça Desportiva adverte Carolina Solberg por gritar ‘fora Bolsonaro’ durante jogo



(Reprodução/ internet)

A jogadora de vôlei de praia Carol Solberg, 33, recebeu uma multa de R$ 1.000, convertida em advertência, em julgamento virtual do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do vôlei, nesta terça-feira, 13.

A decisão foi tomada pela 1ª Comissão Disciplinar. Cabe recurso ao plenário do órgão. Carol Solberg foi denunciada pela procuradoria do tribunal desportivo por ter gritado “Fora, Bolsonaro” durante uma entrevista ao vivo após etapa do Circuito Brasileiro em Saquarema (RJ) no último dia 20.

A denúncia inicial se baseou em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): o 191 -deixar de cumprir o regulamento da competição- e o 258 -assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras do código.

Antes dos votos, indagada pelos auditores, pelo subprocurador Wagner Dantas e também por seu advogado Leonardo Andreotti, Carol Solberg voltou a dizer que sentiu a necessidade de protestar diante do que considera erros do presidente na condução do combate à Covid-19 e às queimadas da Amazônia e do Pantanal.

Ressaltou que em nenhum momento quis ofender a CBV e o Banco do Brasil, patrocinador da confederação desde 1991. Questionada pelo subprocurador se estava arrependida, Carol respondeu que “de maneira nenhuma”. Andreotti perguntou para a atleta qual prejuízo teria em caso de punição.

“Seria terrível, um jogo [de suspensão] já seria muito ruim. Neste ano de pandemia só joguei três torneios, ao longo da pandemia mantive, nos cinco meses, toda a minha equipe. Uma punição prejudica minha equipe, minha parceria, meu técnico, auxiliares. Não temos um patrocinador, o Banco do Brasil, a CBV não me bancam em nada”, afirmou.

Na sexta-feira, 9, o Ministério Público Federal solicitou explicações à CBV sobre qual item do regulamento Carol teria descumprido e quais fundamentos para a limitação da liberdade de expressão no âmbito esportivo.

O procurador Leandro Mitidieri Figueiredo também pediu que seja informado, no prazo de dez dias, como a confederação procedeu em relação a casos análogos de manifestação política por parte de atletas, notadamente o ocorrido em setembro de 2018, quando dois jogadores da seleção brasileira de vôlei comemoram uma vitória da equipe fazendo alusões ao número 17, do então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro.

Naquela ocasião, os atletas Wallace e Maurício Souza fizeram o número 17 com os dedos numa foto durante disputa do Campeonato Mundial de vôlei de quadra. O registro com o ato da dupla chegou a ser publicado pela CBV em sua conta no Instagram. A entidade, porém, removeu a publicação e publicou uma nota de repúdio. Wallace e Maurício Souza não foram denunciados ao STJD.

“A CBV se manifestou através nota oficial nos dois casos. A CBV, e nenhuma entidade, pode punir alguém. A CBV não pode punir nem a Carol, nem o Wallace. O tribunal é quem julga, não é a CBV”, disse Lattari.

(*) Com informações da Folhapress

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