Nos Bastidores

Passageiro se joga de carro em movimento para fugir de motorista homofóbico em Manaus; ‘agradeço estar vivo’

Vítima postou a denúncia em suas redes sociais e, em seguida, registrou ocorrência em uma delegacia na Zona Oeste de Manaus (reprodução) 

Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium
Uma denúncia nas redes sociais indignou quem utiliza transporte por aplicativo como Uber e 99. Na noite dessa quinta-feira, 14, o passageiro Clayton Oliveira usou seu Instagram para relatar uma agressão sofrida por ele após um motorista questionar sua sexualidade durante uma viagem nas proximidades do bairro Alvorada, Zona Oeste de Manaus.
Tudo parecia normal até certo ponto: "Eu simplesmente gostaria de estar fazendo um post super feliz e o quanto o meu dia tinha sido incrível, mas hoje foi um dia que eu agradeço por estar vivo. Sim. Fui espancado por um motorista homofóbico às 21h em plena quarta-feira (12)", disse Clayton.
Ao sair da casa de um amigo no bairro Alvorada, Zona Oeste de Manaus, Clayton solicitou uma viagem pelo aplicativo 99: "Botei minha mala e as minhas coisas atrás do carro e, como de costume me sentei na frente. No meio do caminho ele (motorista) pergunta se eu era gay, disse que sim e então comecei a ser espancado, levando socos e gritos de que 'viado' precisa morrer e que eu só sairia de lá morto", descreveu.
Ainda na publicação, o jovem conta que tentou se proteger das agressões e ameaças de morte e, para se salvar, precisou pular do veículo em movimento: "Ou era isso ou eu estaria morto. […] Parei em um posto e só sabia chorar, e sangrar, pedi ajuda, gritei, estava todo deformado, simplesmente já não sabia mais o que eu era, como eu era e se deveria estar vivo", disse.
Clayton compareceu ao 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde registrou boletim pelas agressões e ameaças de morte: "Me senti um lixo. Não dá para se calar. Todo cuidado é pouco", finaliza o jovem.
'Emprestei o aplicativo para um parente'
Por outro lado, o motorista apontado por Clayton como o suspeito publicou um vídeo nas redes sociais em que justifica ter emprestado o aplicativo para um familiar: "Fiquei sabendo pelas redes sociais. Me dirigi à delegacia para esclarecer a situação que não fui eu. Emprestei essa conta para um parente e não sei o que aconteceu até o presente momento", disse o motorista Júnior Cruz da Silva.
"Estou aqui dando minha cara à tapa para esse rapaz me reconhecer que não fui eu que agredi ele. Tem várias pessoas mandando mensagem para mim no WhatsApp pedindo para eu me tratar, mas não fui eu. Estava trabalhando no momento dessa notícia. Estou aqui abalado também e vim à delegacia para esclarecer isso", disse o homem.


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