Nos Bastidores

Luciano Huck se solidarizou com o caso do motoboy que sofreu ofensas racistas e prometeu presenteá-lo com uma nova moto


O apresentador, Luciano Huck, conversou, na tarde de hoje, com o entregador de aplicativos Matheus Pires, que sofreu ofensas racistas em Valinhos (que fica a 79 km de São Paulo). No bate-papo, o apresentador reservou uma surpresa ao rapaz.

"Vergonha, tristeza e revolta. Foi o que senti quando recebi este vídeo. Nele está tudo contra o que lutamos. Matheus Pires foi corajoso e não baixou a cabeça pro preconceito. Temos de nos unir à luta de Matheus para mudar o Brasil. Este vídeo é revoltante. É um dever como cidadão denunciá-lo", escreveu o apresentador na legenda da postagem, feita pelo Instagram.

Matheus explicou, durante a conversa, que o agressor afirmou que ele sentia "inveja" de sua cor e que se sentiu constrangido com a situação. O entregador abriu um boletim de ocorrência contra o homem. O caso viralizou nas redes sociais durante a manhã.

Ele ainda disse que estava trabalhando com a moto que pertence a seu pai, pois a sua estava com o motor fundido. Luciano, então, se comprometeu a ajudá-lo. "A moto que fundiu o motor... Conta comigo!", disse, afirmando que falará com parceiros comerciais para entregar uma moto nova a Matheus, que se mostrou emocionado.

Entenda o caso

O vídeo de um ato de discriminação viralizou na internet hoje. As imagens feitas por um morador de um condomínio residencial de alto padrão em Valinhos mostram um homem branco xingando e humilhando um entregador de aplicativo negro por causa de um atraso na entrega.

O caso aconteceu em 31 de julho, mas só repercutiu após a mãe de Matheus Pires, 19, publicar as imagens nas redes sociais na noite de ontem. Um boletim de ocorrência para investigar o crime de injúria racial foi aberto na delegacia da cidade, e o agressor, o contabilista Mateus Abreu Almeida Prado Couto, até agora não prestou depoimento. A punição prevista para esse tipo de crime é o pagamento de multa ou reclusão de 1 a 6 meses.

O episódio aconteceu quando Matheus, que é motoboy a serviço do iFood há pelo menos um ano, entregava uma refeição no condomínio.

Chegando ao local, no bairro Chácara Silvania, ele diz que enfrentou um problema no interfone. Por não conseguir falar com o cliente, atrasou a entrega. "Quando cheguei na casa, ele (o morador) já veio com xingamentos", disse.

Um vizinho começou a filmar apenas depois de a discussão começar. É possível ver Matheus sendo chamado de "lixo" e "semianalfabeto". O agressor diz ainda que o jovem tem "inveja da vida que as pessoas dali têm", e afirma que o profissional não tem onde morar, nem "nunca vai ter nada disso aqui". Em dado momento, o homem branco aponta para o braço e diz que o entregador negro tem inveja daquilo, mas nunca poderá ter aquilo.

O entregador responde a cada frase, pedindo respeito: "Eu falei pra ele que essa era uma atitude que não era mais aceita. O que ele faz é pra se mostrar superior às pessoas".

Durante o vídeo, o agressor diz que "aqui não vai acontecer nada". Algo que não é captado pelas câmeras do vizinho é que Matheus acionou a Guarda Municipal. Mesmo na frente dos agentes, o homem continuou a xingá-lo, segundo o motoboy. "Uma hora, ele cuspiu em mim, jogou a nota do pedido no chão e disse que eu era lixo. Me chamou de favelado", afirmou o jovem.

O entregador conta que já havia entregado comida ao mesmo homem em outra ocasião. Na primeira vez, ele também afirma ter sido ofendido. "Ele foi grosseiro porque eu não tinha achado o endereço da casa dele, porque o mapa não mostrava as ruas internas do condomínio", disse. Matheus diz que não chegou a registrar queixa nesse caso.

O homem já protagonizou outros casos de discriminação e ofensas, segundo moradores do condomínio. Eles disseram que o agressor aparenta ter problemas de saúde mental e que o entregador não foi a primeira vítima. Ainda assim, há apenas um boletim de ocorrência registrado até o momento, justamente o que envolve Matheus.

Matheus afirma que, agora, quer apenas justiça. "E que ele aprenda que as pessoas têm o devido valor, seja qual for a profissão", disse.




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