Nos Bastidores

Gradis de ponte sobre o Rio Negro, em Manaus, podem ser ampliados para conter suicídios


Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

O combate ao suicídio é uma causa que engloba a sociedade como um todo. Pela sua complexidade de identificar os sinais de alerta que apontam para o ato, especialistas explicam que ações de conscientização são os principais meios de prevenção. Em Manaus, por ser um ponto com alto registro de ocorrências da prática, a estrutura da Ponte Jornalista Phelippe Daou (que liga Manaus a Manacapuru) entrou em pauta recente entre deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE/AM).

Durante sessão no último dia 23 de junho deste ano, os parlamentares amazonenses aprovaram um requerimento que busca a elevação da altura do gradil de proteção da ponte, com o objetivo de impedir novas tentativas de suicídio. De autoria do deputado Sinésio Campos (PT), a medida foi encaminhada ao governador Wilson Lima (PSC).

"Os dados apontam que a cada quatro dias são registradas ocorrências, entre tentativas e suicídios, em Manaus. E a ponte sobre o Rio Negro passa a ser um grande ponto de procura dessas pessoas. É um problema de saúde pública que deve ser levado em pauta", enfatizou Sinésio Campos à Revista Cenarium.

Segundo ele, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas sofram de depressão em todo o mundo e, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas por ano cometem suicídio, sendo a segunda causa de morte no planeta entre jovens de 15 a 29 anos.

Mesmo destacando a medida, durante a sessão, o deputado Álvaro Campelo (PP) questionou aos demais membros da sessão se a instalação dos gradis traria problemas na estrutura da ponte, devido ao aumento de peso.

O deputado Sinésio, por outro lado, rebateu que conversou sobre o assunto com o secretário de Estado de Infraestrutura e Região Metropolitana de Manaus (Seinfra), Carlos Henrique, pontuando que a colocação dos materiais não irá acarretar problemas, ao contrário da circulação descontrolada de caminhões e carretas na ponte apontada por ele.

Calamidade pública

Na visão do psicólogo Alan da Costa, a elevação dos gradis é uma alternativa importante para o combate ao suicídio, mas é preciso ter outras políticas públicas e conversar mais vezes sobre o assunto. Para ele, as práticas de conscientização são os principais meios preventivos.

"Acredito que se poderia investir em outros projetos, ou em pessoas, como forma de prevenção. Fechar a ponte impede que as pessoas cometam o ato ali, naquele local, mas a gente não sabe o que acontece na casa da pessoa. Seria como tapar o sol com a peneira. Ou seja, é preciso ter políticas públicas, conversar mais sobre esse ponto, o suicídio é uma doença", explicou.

O psicólogo enfatizou que é preciso estar atento aos sinais de alerta da pessoa que possa estar sofrendo com algo, pois pode ser um amigo, conhecido próximo ou até mesmo uma pessoa da família. Segundo ele, as características de alguém com potencial para o ato são o isolamento, menos interação com familiares e amigos, tanto nas redes sociais como de forma presencial, o cancelamento daquelas atividades que costumava fazer, além de comentários ou intenções suicidas.

Apesar da OMS indicar que o número de jovens que cometem suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens, Alan da Costa salienta que o número de idosos que tentam suicídio também é alarmante

"Acredito que não, muitas pessoas pensam em suicídio. O suicídio dos idosos também é alarmante, desde a aposentadoria, por um luto e também pela idade. Qualquer pessoa pode estar sofrendo e é importante que haja essa conscientização com as pessoas, principalmente em relação ao trabalho, a gente vê o trabalho como um ambiente muito nocivo, e deveria ser um ambiente em que a pessoa se sinta bem", finalizou.

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