Nos Bastidores

Em discurso reflexivo, Elisabeth Valeiko, mulher de Arthur Virgílio, assume protagonismo socioambiental

A primeira-dama de Manaus, Elisabeth Valeiko do Carmo Ribeiro, usou do protagonismo social que já detém à frente do Fundo Social de Solidariedade (FSS), “Manaus Solidária”, e fez um alerta sobre os desafios ambientais enfrentados na capital amazonense, em um vídeo gravado para as redes sociais sobre a Semana Mundial do Meio Ambiente, comemorada neste mês.
Em um tom menos amistoso e mais reflexivo, a primeira-dama diz que o momento não é de festejos.  “É o momento de refletir, não é de festejar. Para gente refletir, realmente, o que vale, quais são os valores hoje que nós temos para seguir nossas vidas. E uma delas, é justamente o meio ambiente, um lugar onde nós vivemos, onde nós habitamos, onde nós precisamos cuidar e ter essa reflexão: ‘o que nós estamos fazendo hoje pelo lugar onde a gente vive? O que nós estamos fazendo, hoje, pelo meio ambiente?’”, questionou.
Presidente da Comissão de Paisagismo da Prefeitura de Manaus, Elisabeth Valeiko, que é arquiteta por formação, disse que precisou atuar diretamente na reversão de projetos arquitetônicos que iriam ser entregues, sem a contemplação de áreas verdes. “(…) os projetos que chegavam ao prefeito Arthur (Virgílio) eram lindos nas fotos, tinha árvores, verde. Mas na realidade, estava sendo contemplado apenas o projeto físico, o projeto arquitetônico. Na hora da entrega, não tinha a parte de paisagismo, de passeio, de água, grama, não tinha nada disso”, observou.
A formação acadêmica e a análise técnica das obras fizeram a arquiteta reavaliar as diretrizes dos projetos e contratos para que em toda obra municipal fosse contemplado o paisagismo ou a preservação da vegetação original das localidades. “Hoje, todos os projetos da prefeitura (de Manaus), existe o projeto do paisagismo, que tem que estar integrado ao projeto arquitetônico”, apontou.
Quebra de paradigmas
O novo comportamento administrativo diante da valorização do meio ambiente gerou a humanização das obras implantadas em Manaus, nos últimos anos. “Não existe nenhuma obra linda e perfeita se não houver a humanização dele, se não houver o paisagismo verde, que eu tanto valorizo”, explicou Elisabeth Valeiko.
A responsabilidade do cidadão em garantir a manutenção dos projetos de paisagismo, bem como a preservação do patrimônio público, também, foram abordados pela primeira-dama de Manaus. “Precisamos entender que é necessário cuidar do lugar onde nós vivemos. O que é cuidar: que a gente não jogue lixo nas ruas, não jogue lixo no igarapé, cuide da sua cidade como você cuida da sua casa, e esse ambiente aqui, em que nós estamos vivendo, é nosso, dos nossos filhos, dos nossos netos”.
Voltando-se à reflexão da data lembrada em junho, Valeiko destacou a importância da valorização das obras municipais pelo próprio cidadão, responsável pelo recurso empregado nos projetos públicos. “Vejam: é o Dia Mundial do Meio Ambiente, não é o Dia Municipal, nem nacional. É mundial, porque todos entendem a importância de um meio ambiente saudável, que não é só limpo ou estar bonito, é a gente valorizar e compreender o quanto nós precisamos disso (…)”, observou. 

Novos parques
Há mais de um ano, a Prefeitura de Manaus deu início às obras de três novos parques ambientais e de lazer que serão instalados nas áreas verdes dos conjuntos Hileia 2, no bairro Redenção; loteamento Monte Sinai, no Monte Sinai; e dos Sargentos e Subsargentos, no bairro Flores, de acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semma).
Os espaços serão mantidos por empresas privadas e associações de moradores, segundo a Secretaria de Parcerias e Projetos Estratégicos. Os espaços terão pista de caminhada, iluminação de LED, academias ao ar livre e parquinho infantil, além de jardinagem e arborização.
Com essas três áreas verdes, somadas às dos conjuntos Colina do Aleixo, Novo Aleixo, e Jardim Primavera, no Parque 10 de Novembro, sobe para 11 o número de áreas verdes contempladas por projetos de requalificação ambiental.
Conselho da Amazônia
No mesmo dia em que a primeira-dama de Manaus chamou a atenção para a reflexão socioambiental, o prefeito Arthu Neto enviou nota à imprensa para informar de seu pedido oficial ao Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), para participar como membro do Conselho da Amazônia Legal.
O pedido foi recebido pela presidência e encaminhado ao Ministério do Meio Ambiente para análise. “Pedi para participar, como ouvinte e debatedor, para expor a realidade amazônica sob a ótica de quem sabe de suas dificuldades. Quero ser o ponto contraditório em um Conselho que é composto por 14 ministros comandados pelo presidente e que não vão debater suas opiniões”, relatou Virgílio.
O Conselho conta com a participação de ministérios e não tem representantes de órgãos e entidades com atuação direta na proteção do meio ambiente, das populações tradicionais que compreendem os povos indígenas, os quilombolas, pescadores e ribeirinhos, o que, para o prefeito de Manaus, acaba fragilizando o debate.

Paula Litaiff – Da Revista Cenarium

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